sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Romeu e Julieta

AMAVossa mãe se dirige para cá. Sede prudente; já raiou o dia, como podereis ver. (Sai.)
JULIETA — Então, janela, que o dia entre no quarto e a vida fuja.
ROMEU — Adeus, adeus! Um beijo, e desço logo.
(Desce.)
JULIETA — Já foste? Meu senhor! Amor! Amigo! Notícias quero ter todas as horas, porque um minuto encerra muitos dias. Fazendo a conta assim, ficarei velha antes de ver de novo o meu Romeu.
ROMEUAdeus. Não deixarei passar um só momento sem te mandar contar o meu tormento.
JULIETA — Oh! pensas mesmo que ainda nos veremos?
ROMEU — Não o duvides; todas estas dores nos servirão ainda unicamente para doces deixar nossos colóquios.
JULIETAOh Deus! Um coração tenho agourento. Vendo-te assim, tão longe, só parece que estás sem vida, dentro de um sepulcro. Ou vejo mal, ou estás, realmente, pálido.
ROMEU Podes crer-me, querida; de igual modo tu me pareces. A aflição sedenta nos bebe todo o sangue. Adeus! Adeus! (Sai.)
JULIETA Ó fortuna! fortuna! Os homens todos de inconstante te chamam. Se inconstante fores, mesmo, que tens a ver com ele, pela fidelidade tão famoso? Sê inconstante, fortuna, pois espero que em vez de o seqüestrares muito tempo, logo o farás voltar.

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